29 de abr de 2008

História do Trabalho - 1º de maio - Dia do Trabalho

A importância do trabalho em prol da dignidade humana sempre esteve presente na história da civilização.

Desde as primeiras manifestações de trabalho manual, pasando pelas relações de escambo, escravidão, ao trabalho formal dos séculos VIII e XIX, até o contrato de trabalho do século XX, o homem luta para serem asseguradas suas necessidades e dos seus, principalmente em relação à moradia, saúde e alimentação.

Cabe ressaltar que o trabalho feminino e o trabalho infantil estão presentes nessa sociedade. As necessidades de sobrevivência e as obrigações servis contribuem para isso. As crianças ingressam no mundo do trabalho para auxiliar na economia familiar. Nessa lógica, quanto mais filhos, maior poderia ser o aproveitamento produtivo. Na Inglaterra industrial, mulheres, crianças e idosos trabalhavam em conjunto para garantir a sobrevivência da família como um todo. A preferência por mulheres e crianças nas tarefas que não exigiam força braçal tinha explicação no preconceito industrial burguês de que estes dois grupos de trabalhadores seriam mais facilmente domesticados, ou seja, mais fáceis de serem disciplinados e intimidados.

Com o contrato de trabalho, em início do século XX, foram regulamentadas regras que regem os direitos e deveres entre patrões e empregados. Assim, foram criadas as primeiras classes trabalhadoras, com a classificação em cargos, funções, atribuições e salários.

No Brasil de Getúlio Vargas, foi instituída a maior legislação trabalhista do País, a CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas, representada pela popular carteira de trabalho, onde o trabalhador brasileiro passou a ser reconhecido pelos seus direitos, além de receber benefícios como férias, décimo-terceiro salário, FGTS, aposentadoria, entre outros.

Foi uma solução para garantir um sustento mínimo para as necessidades do trabalhador e de sua família, frente ao capitalismo selvagem, voltada a vida de consumo crescente.

Entretanto, à partir de 1980, diante de um mercado competitivo, as empresas passaram a atuar com foco dirigido tão somente ao negócio. As outras atividades, consideradas de apoio, foram transferidas aos poucos para empresas externas, começava aí o processo de terceirização.

Desta forma, começaram a surgir consultorias externas, ou seja, micro empresas especializadas em prestação de serviços,resultantes de um deslocamento da mão-de-obra, por esta razão, as obrigações empregatícias das empresas passam a ser de competência destas prestadoras.

Diante de um mercado recessivo, com muito mais demissões que contratações, surgiu o trabalho informal, através de serviços sem documentação ou qualquer tipo de registro.

Embora sem direitos ou garantias de um futuro empregatício seguro, para muitos foi a única saída.

As cooperativas de trabalho surgiram devido ao aumento da classe trabalhadora sem registro em carteira, muitos contratados sob os entitulados "contratos de gaveta", com vínculo informal.

A cooperativa de trabalho é uma forma de contratação oficial, através da própria carteira de trabalho, onde o trabalhador contratado por uma determinada cooperativa, fica lotado na empresa contratante dos serviços desta. Todo tipo de vínculo, sejam documental, direitos, deveres ou benefícios se dá apenas entre o trabalhador e a cooperativa. Uma forma de trabalhadores defenderem conjuntamente seus direitos.

Outra forma de manter esses direitos trabalhistas em conjunto é a filiação em sindicatos de categorias. O surgimento dos sindicatos contemporâneos se deu pelo empresário britânico Robert Owen, na segunda década do século XIX, incentivando "a agremiação dos operários em sindicatos (trade unions)", o que transformou o movimento sindical no mais poderoso instrumento de conquista dos direitos sociais-trabalhistas. Aos poucos, a luta de classes foi sendo substituída pelo entendimento entre trabalhadores e empresários, tendo o êxito de tais negociações fortalecido as entidades sindicais.

No Brasil, o movimento sindical se inicia no início da década de 1920. O movimento sindical efetivou-se basicamente no século XX, em decorrência do processo de industrialização, e esteve ligado a correntes ideológicas como o positivismo, o marxismo, o socialismo, o anarquismo, o anarco-sindicalismo, o trabalhismo vanguardista, e o populismo.

O movimento sindical mais forte no Brasil ocorreu em São Paulo, onde os imigrantes integravam a massa de trabalhadores das fábricas e indústrias. Os sindicalistas ativos eram os anarquistas italianos que, surpreendendo os governantes, desencadearam uma onda de rebeliões, que foi contida por uma violenta repressão policial.

Atualmente, o sindicalismo brasileiro passa por um momento de renovação por conta das novas demandas, como a empregabilidade, a globalização dos serviços e cada vez mais, a luta por condições dignas de trabalho.

Quanto à educação, os professores e funcionários de escolas públicas e privadas podem contar, além das garantias trabalhistas,com o apoio dos sindicatos e cooperativas de profissionais da educação em cada estado brasileiro. Por exemplo cito a atuação do SINPRO-Rio - Sindicato Municipal dos Professores do Rio de Janeiro http://sinpro-rio.org.br. ().

Há 73 anos lutando pelos direitos dos professores e funcionários da Educação Básica, Ensino Superior, cursos livres e de idiomas,o Sinpro-Rio,oferece, segundo as disposições do Estatuto do Sinpro-Rio, em seu Art 4º:

Art. 4.º - São deveres do Sindicato:
a) defender o regime democrático e a liberdade de manifestação e de expressão;
b) defender a melhoria do ensino, da formação e das condições de vida e trabalho do magistério;
c) promover a solidariedade intersindical;
d) defender o ensino público, gratuito e de qualidade para todos;
e) editar publicações e promover cursos, palestras e conferências;
f) manter atividades de lazer, assistência judiciária e convênios em benefício de seus associados.


Apesar dessas garantias e inúmeros serviços oferecidos aos sindicalizados em prol de seu aprimoramento, saúde e lazer, poucos ainda são os professores que se se unem à essa bandeira, pois temem serem banidos ou não aceitos nos estabelecimentos de ensino. No entanto, se cada um de nós trabalhadores, lutássemos por melhores garantias de emprego e renda, unindo-nos aos diversos sindicatos e participando das convocaçôes, certamente seríamos levados mais a sério, pois o passado das relações trabalhistas foi de luta, por essa razão, a luta continua!

Abraços sinceros

Semíramis

18 de abr de 2008

19/04 - Um dia para lembrar...

19/04, Dia do Índio. Um dia para lembrar. Esta minha postagem era para ter ido ao ar ontem, mas devido à imprevistos familiares, somente hoje pude postá-la. Mesmo assim, faço hoje minha homenagem aos nossos irmãos indígenas, com meu respeito.
Semíramis

Criado pela FUNAI em 1967, o dia do Índio foi criado como uma homenagem aos indígenas, nativos de nossas terras, quase que dizimados pelos colonizadores.

E só. Até bem pouco tempo atrás, eu costumava ver as crianças saindo de suas escolas enfeitadas com cocares, arco e flechas, rostinhos pintados... Hoje em dia, nem tanto. O que aconteceu com as datas cívicas?

Há quem abomine as datas cívicas por considerá-las uma forma de imposição do patriotismo pelo regime militar, porém o que dizer de um povo que aos poucos vai perdendo sua cultura? O que dizer de um povo que aos poucos vai se esquecendo de suas tradições?

Índios, hoje são poucos os que mantêm suas tradições. Peles pintadas e ornamentos plumários pouco ou nada são usados em virtude das “vestes de branco”. Os índios estão deixando de lado suas raízes para viver a comezinha vida dos brancos: suas diversões, seus remédios e vícios – como se salvarão? Se o próprio governo não designa pessoal capacitado para orientá-los (e não deixá-los à sua própria sorte).

Por outro lado, alguns membros das comunidades indígenas estão saindo das aldeias para lutarem por seus direitos. Começam pela educação: muitos ingressam nas universidades a fim de poderem repassar, dentro de sua própria cultura, linguagem e pensamento as virtudes, soluções, prós e contras do mundo dos brancos. São professores, advogados, médicos e enfermeiros indígenas.
Estes profissionais acreditam que, se ampliadas as condições de estudo, emprego e renda, sua tribo pode viver harmoniosamente com o restante da população, produzindo, negociando, partilhando o conhecimento e auxiliando nas pesquisas que favorecerão a humanidade como um todo, sem com isso desprezar seu passado histórico, antes, revivê-lo a cada dia, mantendo vivas suas tradições, costumes, ritos e sabedoria. Conceitos Morais e Religiosos.

A Funai registra a existência de 206 povos indígenas, alguns com apenas uma dúzia de indivíduos. Somente dez povos têm mais de 5 mil pessoas. As 547 áreas indígenas cobrem 94.091.318 ha, ou 11% do país. Há indícios da existência de 54 grupos de índios isolados, ainda não contatados pelo homem branco.

Pois, a história dos primeiros habitantes dessas terras milenares necessita de bem mais do que um dia para serem lembradas. São mais de 600 tribos, cada qual com sua história: Kaiapós, Pataxós, Arawêtes, Ticunas... Todas com um modo diferente de ver sua existência, sua criação e a criação do mundo.

O que essa existência pode nos trazer, além de um retorno com nossas próprias origens é o aprendizado para a vida, o respeito aos ancestrais e a construção da vida em comunidade.

Que esta seja uma data para ser lembrada a figura do índio, não somente neste dia, mas um diálogo reflexivo para todo o ano.




Fontes: Institut Arara - http://www.arara.fr/BBTRIBOS.html
FUNAI - http://www.funai.gov.br/index.html
Desvendar.com - http://www.desvendar.com/especiais/indio/tribos.asp

O que fazer para combater o Analfabetismo no Brasil, então?



Enquanto professores, sabemos que nosso cotidiano não é fácil: cadernos e livros para corrigir, provas, avaliações e trabalhos para analisar. Porém, nada nos impede de tentar novas atitudes, que não são trabalhosas e nem nos ocupa tanto tempo.

1- Para alunos de EF - incentivar os cantinhos da leitura - num canto da sala de aula, disponha de umas duas esteiras ou tapetes e alguns livros, revistas e gibis dispostos num baú ou numa pequena estante. Gente, serve até um caixote de madeira, desses de frutas! chamem as crianças para a elaboração desse espaço. Elas se sentirão felizes se puderem participar da organização e isso as incentiva ao uso do espaço.

2- Outra estratégia interessante para este segmento é trazer esta experiência para dentro de suas casas. Ao incentivarmos a família a ler, criamos um laço de leitura e escrita familiar, o que reforça a tese de que "aprendemos uns com os outro e por isso aprendemos sempre" (Paulo Freire). Ao criar o cantinho de leitura, aproveitem para comunicar este feito aos pais, sob forma de bilhetinhos ou cartinhas, pois essas ações favorecem a comunicação e a integração da família com a escola.

3- Outro recurso que pode ser utilizado, não apenas no segundo segmento do EF, mas no EM e no EJA é a criação de um jornal da turma. Tarefa simples que pode ainda ser utilizada como instrumento de avaliação de aprendizagem. Considero que a avaliação deva ser formativa, ou seja, aquela que parte do princípio que a aprendizagem é um processo contínuo. O jornal poderá ser mensal ou bimestral, conforme a necessidade de cada professor. Este recurso fornece variadas formas de leitura e escrita e ainda a possiblidade do educando reelaborar seu conhecimento. Geralmente, se formam grupos para elaborar as tarefas, ou mesmo a criação de 2 ou três jornais onde cada um dos participantes são incumbidos de tarefas distintas, porém sempre com a redação de um artigo.

4- Criação de blogs e fotologs - para os alunos de EM, a criação de blogs e fotologs poderá, à um só tempo, favorecer tanto a leitura e escrita de artigos, quanto à criatividade e desenvolvimento do senso estético. Essas ferramentas, àlem de permitirem um contato maior do aluno com diversos artigos relativos às disciplinas do currículo, poderão consistir numa metodologia de aprendizado eficaz nos estudos aos exames vestibulares. Cabe ao professor, a proposição e a distribuição das tarefas, identificando os elementos necessários à consecução das mesmas, bem como os temas a serem tratados.

Essas abordagens, das mais simples às mais complexas, consistirão num desafio tanto aos alunos, pelos quais devemos orientar à não deixarem de lado suas aspirações e seus estudos, como também num desafio ao professor, no qual ele estará continuamente se aperfeiçoando e adequando o seu saber às questôes sociais, à aproximação da escola com as famílias e com as inovações tecnológicas presentes em nosso cotidiano.

Abraços aos educadores e educandos

Semíramis

14 de abr de 2008

Uma Reflexão

Há de se pensar no amor em educar, cito Freire (81:1979*)
"Não se pode falar de educação sem amor".

Há aqueles que amam a ciência que escolheram para estudar e que acabaram por ingressar no magistério dessa, o que não significa que gostem ou amem lecioná-la.

Há aqueles que se dedicam à prática docente em elaborar novos métodos de ensino, mas que não se sentem à vontade em testá-los. Se prendem às minúcias burocráticas ou à repetição da teoria dos grandes pesquisadores.

Há aqueles que, poucos, amam o que escolheram como ciência, filosofia, magistério e método a que se dedicam, se sentem totalmente à vontade para se soltarem das teias impostas ao longo dos tempos, encorajando outros a ousarem a se soltar também.

Esse é o educador de fato, aquele que ama educar.


Fraternalmente,

Semíramis

*Educação e Mudança, Paz e Terra, 1979 12ª edição - p.81 (on line UFPE)


PS: Ao sair da página, deixe um recado no Livro de Visitas - Vou gostar de saber que você veio!!!

9 de abr de 2008

Dia do Livro 18 de Abril - O que fazer para acabar com o analfabetismo?




Numa sala de aula diversas atividades e atitudes podem consistir em elementos de grande valor para os alunos, principalmente para os jovens que prematuramente abandonaram as salas de aula e hoje buscam as salas de EJA para poderem concluir seus estudos.

Partindo de uma perspectiva Freireana, eu procuraria saber a história de vida desses educandos: o lugar onde vivem, suas necessidades, suas alegrias, seus gostos, seus objetivos e ocupações. Nesse todo compreensível para todos nós, alfabetizados ou não, partiria para atividades que são bem vindas para todos aqueles que, curiosos em saber a visão do outro sobre determinado assunto, trazem para a aula e descrevem as cenas de seu rodo cotidiano.

Na comunidade judaica há uma expressão: conte-me sua história que eu te conto a minha. É uma espécie de voto de confiança para se iniciar um diálogo franco, uma forma de aprendermos uns com as histórias dos outros. Acredito que esse poderia ser um canal para a humanização das relações professor-aluno, sobretudo no EJA, onde essas relações já foram desgastadas em um passado traumático, por parte de alguns alunos.

Certa vez eu conversava com uma senhora que havia deixado a escola aos 12 anos, na sexta série. Ela era uma senhora bem inteligente e gostava de ler, embora o fizesse com certa dificuldade e assim a peguntei o porque dela ter se afastado da escola, ter deixado de estudar. Ela, num suspiro desses que a gente tem vontade de chorar, me contou que saíra da escola porque as professoras a maltratavam. Rasgavam seus desenhos coloridos e a colocava de castigo.

Perguntei-a sobre seu rendimento escolar e ela disse que costumava ser boa aluna, mas a irritabilidade com que as professoras se referiam à ela e aos demais alunos, a deixava e aos pais, apavorados. Dessa forma, um dia, tomados pelas dificuldades da vida, ela deixou os bancos escolares e começou a labuta da sobrevivência. Trabalhava para ajudar à família e logo depois se casou. O marido alfabetizado a ensinara as letras e a convidara a leitura de jornais e revistas.

No cuidado diário da casa, ela aprendera a somar, a ler e a escrever, embora com certa dificuldade, mas a lembrança de tempos difíceis e traumas escolares a faziam hesitar em voltar ao estudo formal. Estava ela ali, num curso supletivo de EF, lendo com vagar uma apostila que ela confessava, com lágrimas nos olhos, a felicidade de estar estudando outra vez, sem o temor de ser retaliada ou ofendida como antes.

Portanto, acredito que a erradicação do analfabetismo somente se dará se houver uma maior consciencientização dos professores no sentido de trazer às salas de aula, não somente novas técnicas didáticas, métodos de ensino, cartilhas coloridas... não, é necessário trazer para dentro de sala de aula o afeto, a preocupação com a vida do aluno, com a história social deste ser em formação. A leitura que o aluno faz é a leitura de vida.Ele se identifica com o que está acontecendo em seu bairro, em sua cidade, na política e nos acontecimentos que envolvem sua gente.

Antes de tudo, o aluno, fruto de nossas observações e estudos, tem seu próprio rítmo. Se faz necessário que o auxiliemos a encontrar soluções para suas dificuldades e, principalmente, auxiliá-los no gosto pela leitura.

Os veículos para os aproximar não só da leitura, mas da troca de informções e da escrita estão aí: a interconectividade da internet, as ferramentas de pesquisa, os sites de relacionamento, os fotologs, blogs, e-mails e salas de bate-papo. tudo isso e mais toda a tecnologia e veículos de informação podem dar aos alunos o poder da voz, da opinião e da troca de experiências, tendo como base a leitura.

Que não sejamos apenas uns poucos a lutar por este poder. Com a leitura obtemos não apenas o prazer de obter conhecimento, mas o de partilhá-lo com outros e lutar pela democracia.

Abraços,

Semíramis

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