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23 de abr de 2013

Maldade Acadêmica (desabafo de uma profissional de Ensino Superior)

Jurei, mas bem juradinho, que nunca mais ia criticar quem me dá o sagrado pão de cada dia, porém hoje, simplesmente me senti injuriada. Não por mim, mas por centenas de estudantes universitários, em especial dos cursos de Licenciatura nesse Brasil tupiniquim, que pensa ter o maior celeiro de cérebros jamais visto em nenhum lugar desse vasto mundo.

Doce engano, caríssimos gestores de universidade pública! O que vocês fazem é simplesmente exportar, eu diria mais, expulsar, jovens talentos diretamente para os braços das grandes universidades internacionais. MIT, Oxford, Yale, Princeton, Havard just waits for the young "bananas" to bright up theirs consciences...

O que se tornou "Ensino Superior público" no Brasil é uma grande piada - de mau gosto - com jovens recém-ingressos nas universidades: adentram suas mentes com artigos dificílimos, mal escritos, confusos, tal como a mente dos doutores que os escreveram. Não oferecem nenhuma aplicabilidade prática aos que estão se preparando para elevar as mentes em formação.

Encastelados em seus departamentos frios e desconectados totalmente da realidade das escolas de educação básica, vocês não formam professores ou pedagogos para nossas escolas - a universidade pública se tornou uma fábrica de robôs, determinados à repetir tudo, na íntegra, o que seu mestre mandar. Muitas vezes, o aluno repete um sem número de teorias, buscando atender o enunciado proposto e sequer entende o que o mesmo quer dizer, tamanha a pretensão de quem dita as regras. É uma maldade.

Crueldade maior é colocar teorias que os futuros professores - seja de filosofia, de educação infantil, de ensino fundamental, de matemática, física, etc - realmente nunca darão nas salas de aula. Vocês não discutirão o existencialismo fundamentalista nem com seus colegas de trabalho, tampouco com os alunos de 6 a 17 anos, na média.

Vejo diariamente, textos e mais textos indicados pelas universidades que não atendem nem  em 10% do que um professor de educação infantil,. ensino fundamental ou médio deveria de saber na prática.

Dessa forma, fico me perguntando o que dizer a um aluno que me pergunta "Professora, em que esse conhecimento nessa disciplina vai me ajudar a compreender a dinâmica do dia a dia da escola?" dá vontade de parar de mentir, de tentar contemporizar e dizer com todas as letras "Em nada, meu amigo. Só se aprende a lecionar, lecionando"

Acredito que a universidade deveria de reavaliar seus conceitos. Algumas atividades que um aluno recém-formado em um curso de licenciatura não sabe fazer:



1. Plano de aula,
2. planejamento anual da disciplina,
3. desconhecem a matriz curricular de sua própria disciplina,
4. não sabe se posicionar no quadro negro;
5. não sabe criar materiais didáticos; (pedagogia)
6. não sabe desenvolver sistemas pedagógicos;
7. não compreende a dinâmica da escola; (pedagogia)
8. desconhece seus direitos como profissional de educação;
9. não sabe diagnosticar problemas de aprendizagem/necessidades especiais dos alunos;(pedagogia tb)
10. não sabe como lidar com os alunos;
11. não sabe trabalhar em equipe; (pedagogia)
12. não sabe ornamentar a sala de aula  (pedagogia!!!!)
13. não sabe alfabetizar uma criança (pedagogia)
14. Desconhecem os métodos de alfabetização (pedagogia)
15. Elaborar uma prova;
16. analisar o programa do colega de trabalho e traçar estratégias multi, trans e interdisciplinares;
17. desenvolver sistemas de avaliação;
18. desenvolver propostas pedagógicas; (Pedagogia)
19. desenvolver novas formas de ensinar;
20. desconhecem como se elabora um projeto temático
21. não sabem fazer a média das notas;
22. Não sabem preencher um diário
etc.etc.etc...



Deixei esse item básico por último de propósito, por ser o instrumento de trabalho que acompanha o professor ano após ano. Longe de mim querer desestimular meus alunos do curso de pedagogia, mas na realidade, é triste constatar a grande mentira que são os cursos de licenciatura pública no Brasil. Porém, ser professor é uma ciência que um dia, num mundo melhor e regenerado, será reconhecida e honrada, pois verão que nossos esforços não se limitam às frias teorias impostas por quem está preso no academicismo titular. Ser professor de educação básica é persistir num ideal e estudar sempre.

Ps. isso não é um texto acadêmico. Encarem como um desabafo de uma professora indignada com a atual situação depois de anos de estudos sobre o tema. Porém ainda tenho a esperança que tudo um dia pode mudar, pelo menos estou tentando... a essência de um bom educador é sonhar!


Abraços
Semíramis F. Alencar Moreira

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