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24 de mai de 2013

Aula 13 - A educação da superestrutura de Antonio Gramsci


Antonio Gramsci é um dos principais representantes do pensamento esquerdista mundiais no  século 20, co-fundador do Partido Comunista Italiano. Nasceu em Ales, na Sardenha, em uma família pobre e numerosa, filho de Francesco Gramsci,  Antonio, antes dos 2 anos, foi vitimado por  uma doença que o deixou corcunda e prejudicou seu crescimento, acarretando numa estatura baixa e uma vida repleta de fragilidades de saúde.
Entretanto, foi um estudante brilhante, e aos 21 anos conseguiu um prêmio para estudar Letras na universidade de Turim, onde trabalhou como jornalista de publicações de esquerda. Gramsci foi militante em comissões de fábrica e ajudou a fundar o Partido Comunista Italiano em 1921. Em Moscou, conheceu a futura esposa, Julia Schucht, enviado como representante da Internacional Comunista.

Em 1926, foi preso pelo regime fascista de Benito Mussolini. 
Fascismo – O que é?

Fascismo é uma doutrina totalitária orbitando a extrema-direita, desenvolvida por Benito Mussolini no Reino de Itália, a partir de 1919 e durante seu governo (1922–1943 e 1943–1945). A palavra "fascismo" deriva de fascio, nome de grupos políticos ou de militância que surgiram na Itália entre fins do século XIX e começo do século XX; mas também de fasces, que nos tempos do Império Romano era um símbolo dos magistrados: um machado cujo cabo era rodeado de varas, simbolizando o poder do Estado e a unidade do povo.  Os fascistas italianos também ficaram conhecidos pela expressão "camisas negras", em virtude do uniforme que utilizavam. Benito Mussolini, professor primário e mais tarde jornalista, fundou o Partido Nacional Fascista. Mussolini se torna ditador em 1922.



Ficou célebre a frase dita pelo juiz que o condenou: "Temos que impedir esse cérebro de funcionar durante 20 anos".

Gramsci cumpriu dez anos, morrendo numa clínica de Roma em 1937. Na prisão, escreveu os textos reunidos em Cadernos do Cárcere e Cartas do Cárcere. O Euro comunismo foi inspirado em suas obras, a linha democrática seguida pelos partidos comunistas europeus na segunda metade do século 20 – tendo grande influência no Brasil nos anos 1970 e 1980. 
O filósofo italiano atribuía à escola a função de dar acesso à cultura das classes dominantes, para que todos pudessem ser cidadãos plenos. Alguns conceitos determinados por Gramsci hoje são usadas no mundo todo.
Um dos conceitos mais difundidos e conhecidos é o de cidadania. Foi ele quem trouxe à discussão pedagógica a conquista da cidadania como um objetivo da escola. Esta deveria ser orientada para a ideia de  elevação cultural das massas, ou seja, livrá-las de uma visão de mundo que, por se assentar em preconceitos e tabus, predispõe à interiorização acrítica da ideologia das classes dominantes. 
Gramsci ao contrário dos pensadores que deram continuidade a obra de Karl Marx, deteve-se particularmente no papel da cultura e dos intelectuais nos processos de transformação histórica. 
Suas ideias sobre educação surgem desse contexto. Todavia, ao contrário de Marx, Gramsci não crê no Estado como meio de coerção nas mãos das classes sociais dominantes, mas sim enquanto poder edificado justamente no acordo comum. Dessa forma, ele tece a concepção de Estado ampliado, o qual nasce do estabelecimento da hegemonia.

Para Gramsci, hegemonia cultural não é sinônimo de poder dominador, pois uma classe social não pode se sobrepor ideologicamente sobre outra esfera da sociedade sem recorrer às famosas alianças e articulações e sem o consentimento, mesmo que seja um tanto inconsciente, da massa por ela liderada.
Assim, se a burguesia, por exemplo, quer se impor às classes populares, não o poderá fazer, a não ser em uma etapa inicial de um novo regime político, ou excepcionalmente em Estados terroristas ou sob intensa ditadura. Na tentativa de estabelecer um papel de liderança sobre as camadas oprimidas, a classe que se candidata à hegemonia cultural necessita abrir mão de algumas de suas conveniências, para obter o poder desejado.


A leitura de Gramsci é fácil de ser compreendida quando o conceito de hegemonia é compreendido, pois se trata de um dos pilares do pensamento gramsciano.

A hegemonia é obtida, segundo Gramsci, por meio de uma luta “de direções contrastantes, primeiro no campo da ética, depois no da política”. Dessa maneira,  o importante é primeiro conquistar as mentes,para depois se chegar ao poder. O que não se refere diretamente com propaganda ou inculcação ideológica. Para Gramsci, a função do intelectual (e da escola) é mediar uma tomada de consciência (do aluno, por exemplo) que passa pelo autoconhecimento individual e implica reconhecer, nas palavras do pensador, “o próprio valor histórico”.

Gramsci era um homem que pensava em termos de relaçõesseu entendimento sobre as formações sociais era global. Escrevera sobre o fordismo, reconhecendo explicitamente que a homogeneidade, a padronização e as economias e empresas de escala são símbolos "inseparáveis de um modo específico de viver, de pensar e de sentir a vida"(Gramsci), e não apenas da esfera econômicaEsta visão de mundo refletia em sua prática políticae como Deputado e Secretário do Partido Comunista Italiano sempre pregou a busca dos elementos revolucionários e inovadores "onde quer que se evidenciassem: no operariado,mesmo não sendo comunista, no sofrido homem dos campos do sul da Itáliae nos intelectuais e artistas mais vivos e inteligentes mesmo sendo liberais"( In: Nosella). Sua compreensão ampla das coisas e sua luta contra o que ele chamava de "monótona repetição dos velhos e gastos chavões teórico-políticos", nunca foram entendidas por boa parte do partido comunista italiano.

A maior parte da obra de Gramsci foi escrita na prisão e só foi difundida depois de sua morte. Gramsci adota uma linguagem cifrada, sobre diversos temas, para não despertar a censura fascista, seu pensamento e estilística são desenvolvidas em torno de conceitos originais (como bloco histórico, intelectual orgânico, sociedade civil e a citada hegemonia, para mencionar os mais célebres) ou de expressões novas em lugar de termos tradicionais (como filosofia da práxis para designar o marxismo). 
O pensamento de Gramsci ocorre de maneira estruturalista, posto que seus escritos tem forma fragmentária, com muitos trechos que apenas indicam reflexões a serem desenvolvidas. 

Gramsci e a Superestrutura

Gramsci se dedicou em analisar os elementos superestruturais do capitalismo e da sua necessidade de superação, atribuindo a superestrutura grande peso no processo de transformação social. Em seus escritos se preocupa em desvendar as formas de dominação do capitalismo, através das artes, da educação, da literatura ou dos meios de comunicação.


Gramsci tende a considerar abstrata a distinção entre estrutura (as relações sociais de produção) e superestrutura (as idéias, os costumes, os comportamentos morais, a vontade humana). Na concretude histórica, há convergência entre os dois níveis, uma convergência que conhece a distinção e a dialética, mas que se resolve numa “unidade real”.

"A pretensão (apresentada como postulado essencial do materialismo histórico) - escreve Gramsci - de apresentar e expor toda flutuação da política e da ideologia como uma expressão imediata da estrutura deve ser combatida, no plano teórico, como um infantilismo primitivo, ou, no plano prático, valendo-se do testemunho autêntico de Marx, escritor de obras políticas e históricas concretas".




Fontes Bibliográficas 




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