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9 de abr de 2008

Dia do Livro 18 de Abril - O que fazer para acabar com o analfabetismo?




Numa sala de aula diversas atividades e atitudes podem consistir em elementos de grande valor para os alunos, principalmente para os jovens que prematuramente abandonaram as salas de aula e hoje buscam as salas de EJA para poderem concluir seus estudos.

Partindo de uma perspectiva Freireana, eu procuraria saber a história de vida desses educandos: o lugar onde vivem, suas necessidades, suas alegrias, seus gostos, seus objetivos e ocupações. Nesse todo compreensível para todos nós, alfabetizados ou não, partiria para atividades que são bem vindas para todos aqueles que, curiosos em saber a visão do outro sobre determinado assunto, trazem para a aula e descrevem as cenas de seu rodo cotidiano.

Na comunidade judaica há uma expressão: conte-me sua história que eu te conto a minha. É uma espécie de voto de confiança para se iniciar um diálogo franco, uma forma de aprendermos uns com as histórias dos outros. Acredito que esse poderia ser um canal para a humanização das relações professor-aluno, sobretudo no EJA, onde essas relações já foram desgastadas em um passado traumático, por parte de alguns alunos.

Certa vez eu conversava com uma senhora que havia deixado a escola aos 12 anos, na sexta série. Ela era uma senhora bem inteligente e gostava de ler, embora o fizesse com certa dificuldade e assim a peguntei o porque dela ter se afastado da escola, ter deixado de estudar. Ela, num suspiro desses que a gente tem vontade de chorar, me contou que saíra da escola porque as professoras a maltratavam. Rasgavam seus desenhos coloridos e a colocava de castigo.

Perguntei-a sobre seu rendimento escolar e ela disse que costumava ser boa aluna, mas a irritabilidade com que as professoras se referiam à ela e aos demais alunos, a deixava e aos pais, apavorados. Dessa forma, um dia, tomados pelas dificuldades da vida, ela deixou os bancos escolares e começou a labuta da sobrevivência. Trabalhava para ajudar à família e logo depois se casou. O marido alfabetizado a ensinara as letras e a convidara a leitura de jornais e revistas.

No cuidado diário da casa, ela aprendera a somar, a ler e a escrever, embora com certa dificuldade, mas a lembrança de tempos difíceis e traumas escolares a faziam hesitar em voltar ao estudo formal. Estava ela ali, num curso supletivo de EF, lendo com vagar uma apostila que ela confessava, com lágrimas nos olhos, a felicidade de estar estudando outra vez, sem o temor de ser retaliada ou ofendida como antes.

Portanto, acredito que a erradicação do analfabetismo somente se dará se houver uma maior consciencientização dos professores no sentido de trazer às salas de aula, não somente novas técnicas didáticas, métodos de ensino, cartilhas coloridas... não, é necessário trazer para dentro de sala de aula o afeto, a preocupação com a vida do aluno, com a história social deste ser em formação. A leitura que o aluno faz é a leitura de vida.Ele se identifica com o que está acontecendo em seu bairro, em sua cidade, na política e nos acontecimentos que envolvem sua gente.

Antes de tudo, o aluno, fruto de nossas observações e estudos, tem seu próprio rítmo. Se faz necessário que o auxiliemos a encontrar soluções para suas dificuldades e, principalmente, auxiliá-los no gosto pela leitura.

Os veículos para os aproximar não só da leitura, mas da troca de informções e da escrita estão aí: a interconectividade da internet, as ferramentas de pesquisa, os sites de relacionamento, os fotologs, blogs, e-mails e salas de bate-papo. tudo isso e mais toda a tecnologia e veículos de informação podem dar aos alunos o poder da voz, da opinião e da troca de experiências, tendo como base a leitura.

Que não sejamos apenas uns poucos a lutar por este poder. Com a leitura obtemos não apenas o prazer de obter conhecimento, mas o de partilhá-lo com outros e lutar pela democracia.

Abraços,

Semíramis

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