20 de jul de 2015

5 feridas emocionais da infância que podem persistir na idade adulta

5 feridas emocionais da infância que podem persistir na idade adulta

Embora não seja regra absoluta, não podemos negar que nossa infância e primeiras experiências afetivas podem influenciar na maneira como lidamos com os relacionamos posteriores e na leitura que temos das coisas que acontecem ao nosso redor.
As boas e más experiências infantis afetam sim nossa qualidade de vida quando adultos. Influenciam também, depois, em como trataremos nossos filhos tanto do ponto de vista do afeto quanto do enfrentamento de adversidades. Agiremos reproduzindo os comportamentos que conhecemos ou seremos diferentes?
Abaixo, estão descritas 5 feridas emocionais segundo a especialista em comportamento canadense Lisa Bourbeau. Para a autora, são elas algumas das mais determinantes nas dificuldades de relacionamentos que as pessoas podem carregar ao longo da vida adulta posterior.

1- O medo do abandono

Um dos medos frequentes nas crianças é o medo da ausência de seus pais, o medo do abandono. A criança, nos primórdios de sua vida, ainda não consegue separar fantasia de realidade, e, por também não conseguir quantificar o tempo, entente que as ausências podem ser sinônimos do abandono absoluto.
Se a aprendizagem dessa separação necessária já é complexa em ambientes onde os pais lidam com o fato com tranquilidade, no caso de pessoas que tiveram experiências de negligência na infância, as marcas deixadas podem acarretar um medo de solidão e rejeição contínuos todas as vezes em que a pessoa não tiver perto de si (fisicamente) a pessoa amada.
A ferida causada pelo abandono não é fácil de curar. A pessoa saberá que está curada quando os momentos de solidão não forem vistos como desamor e rejeição, e, dentro de si, existirem diálogos positivos e esperançosos.

2- O medo da rejeição

É uma ferida profunda que é formada quando, durante o desenvolvimento, a criança não se sentiu suficientemente amada e acolhida pelas figuras de referência que estavam ao seu redor assim como, posteriormente, pode ser afetada também por rejeições em ambiente escolar.
Como a pessoa, no começo, forma sua identidade a partir da maneira como é tratada, se ela for desvalorizada e depreciada constantemente, pode internalizar em si uma autoimagem de que não é merecedora de afeto e de que não possui atributos suficientes para ser aceita em sociedade.
O rejeitado passa, então, a rejeita-se, e, na idade adulta, muitas vezes, mesmo frente ao sucesso e obtento bons resultados, essa pessoa pode apresentar grande fragilidade frente a qualquer crítica que exponha seus medos internos de insucesso.

3- A humilhação

Esta ferida é gerada no momento em que sentimos que os outros nos desaprovam e criticam. Podemos criar esses problemas em nossos filhos dizendo-lhes que eles são estúpidos, maus ou mesmo exagerando em comparações; isso destrói a criança e sua autoestima.
Uma pessoa criada em um ambiente assim pode desenvolver uma personalidade exageradamente dependente. Outra possibilidade é o desenvolvimento da "tirania" também em si, um mecanismo de defesa em que a pessoa passa a humilhar aos outros para se sertir mais valorizada.

4- Traição ou medo de confiar

Uma criança que se sentiu repetidamente traída por um de seus pais, principalmente quando o mesmo não cumpria as suas promessas, pode nutrir uma desconfiança que, mais tarde,  pode ser transformada em inveja e outros sentimentos negativos. Quem não recebe o que foi prometido pode não se sentir digno de ter os que os outros têm.
Pessoas que passaram por isso desenvolvem uma tendência maior a tentar controlar tudo e todos ao redor em uma tentativa de trazer para si  o comando de variáveis que, antigamente, faziam com que se sentissem preteridas e injustiçadas. Quando perdem o controle ficam nervosas e sentem-se perdidas.

5- Injustiça

A ferida da injustiça surge a partir de um ambiente no qual os cuidadores primários são frios e autoritários. Na infância, quando existe uma demanda além da capacidade real da criança, ela pode ter sentimentos de impotência e inutilidade que  depois pode carregar ao longo dos anos.
Em ambientes assim, a criança pode desenvolver um fanatismo pela ordem e pelo perfeccionismo como tentativa de minimizar os erros e as cobranças. Soma-se a isso a incapacidade de tomar decisões com confiança.
Nota da CONTI outra:
Como dito no começo, existem feridas da infância que aumentam a probalidade de sequelas emocionais na vida adulta. Entretanto, nada é regra e existem pessoas que desenvolvem mecanismos adaptativos e superam essas questões. Outras, entretanto, não se saem tão bem. Se você for uma delas, procure ajuda de um profissional da saúde mental. Nunca é tarde para rever questões mal resolvidas. O passado não muda, mas o futuro ainda é um livro em branco.
Traduzido e ADAPTADO por Josie Conti.

18 de jul de 2015

Um terço dos professores não lê livros


Para Sheila Machado, o baixo salário e a falta de tempo não são desculpas para não ler:
Para Sheila Machado, o baixo salário e a falta de tempo não são desculpas para não ler: "Vou muito a sebos, troco com colegas"
ESCOLA

Um terço dos professores não lê livros

Dados do Prova Brasil revelam que 55% dos docentes da educação básica não leem literatura com frequência. Resultado afeta a formação do aluno

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Texto publicado na edição impressa de 10 de fevereiro de 2013
Os professores da educação básica brasileira (ensino fundamental e médio) não gostam de ler. Segundo dados do questionário da Prova Brasil 2011, 21% dizem que leem às vezes e 34% nunca entram em contato com um livro. Ou seja, menos da metade tem esse prática. As causas são várias, entre elas a formação deficiente do docente, que não inclui a leitura como parte importante de seu desempenho profissional; a falta de tempo devido à dupla jornada para compensar os baixos salários; e o pouco incentivo do poder público.
No primeiro caso, a falta de valorização da leitura é apenas mais um fator da defasagem de qualidade dos cursos de Pedagogia e licenciatura, apontada pelos especialistas como um dos grandes problemas da educação hoje. Além de um currículo fraco, a carreira não consegue atrair jovens com um bom histórico escolar.
Quanto ao tempo diário de trabalho, a maioria dos professores atuam em dois períodos – ou até três – para dobrar o salário. O tempo que eles têm livre geralmente é na própria escola, a chamada hora-atividade, mas ela é voltada à preparação de aulas e correção de trabalhos e provas. "O ideal seria que dentro dessa hora-atividade existisse mais uma ou duas horinhas para que ele pudesse ler outras coisas que não as relacionadas à sua disciplina. Mas é complicado porque hoje já se faz milagre com o tempo que se tem", diz a professora do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Suzete Bonatto.
Influenciador
O principal efeito de um professor que não lê é a não formação de novos leitores. Ou seja, de alunos que não vão ter gosto pela leitura nem vão entender a importância dela. De acordo com o escritor e professor Paulo Venturelli, a leitura fundamental é a literária. É ela que vai desenvolver a inteligência e a sensibilidade, além de mudar a percepção que o professor tem do mundo e das coisas. "Esse é o problema principal da educação do Brasil, a falta de leitura. O professor não sabe o que fazer com o livro e não sabe ensinar o aluno a usá-lo."
Por isso, mesmo que a pesquisa mostre que os índices são maiores em outros tipos de leitura, como jornal – 63% leem sempre – e revista – 65% leem sempre –, por exemplo, a leitura literária tem um papel que não pode ser substituído.
Segundo a pesquisa Re­­tratos da Leitura no Brasil 2012, do Instituto Pró-Livro e Ibope, o principal influenciador de leitura de crianças e jovens é o professor – 45%, superando o papel da mãe, que é de 43%.

Professores terão formação mais longa -Licenciaturas terão maior duração e contarão com estágio supervisionado em escolas

Professores terão formação mais longa Michael Gonçalves/Agencia RBS
Foto: Michael Gonçalves / Agencia RBS
A formação dos professores será mais longa e mais voltada para a prática em sala de aula. É o que define parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), que já foi homologado pelo Ministério da Educação (MEC) e que deverá ser colocado em prática em até dois anos, prazo para que os cursos em funcionamento se adequem às novas regras.

Professores do RS têm o menor salário básico.

Educadores do Brasil premia professores e diretores.
A homologação do Parecer 2/2015 é parte do pacote de medidas adotadas pelo governo no final do primeiro ano de vigência do Plano Nacional de Educação (PNE). Entre as mudanças está a exigência de uma carga horária maior para os cursos de licenciatura, que passam de 2,8 mil, o equivalente a três anos de formação, para 3,2 mil ou quatro anos de formação. Para a segunda licenciatura, a duração é de 800 a 1,2 mil horas, e os cursos de formação pedagógica para os graduados não licenciados devem ter a duração de 1 mil a 1,4 mil horas. 

Cursos de licenciatura enfrentam queda.
Os futuros professores terão durante todo o curso atividades práticas, além do estágio supervisionado em escolas.
– Há uma perspectiva de integração da educação básica e superior. Pensar a formação dos professores agora não é uma atribuição apenas das instituições de ensino superior, mas é uma parceria com a educação básica – explicou o relator do parecer, Luiz Fernandes Dourado.
Outra novidade é a maior integração entre a formação inicial dos professores e a formação continuada, oferecida aos docentes já formados. A formação envolverá as escolas e as secretarias de estado, além das instituições de Ensino Superior em atividades, cursos de extensão, atualização, aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado.
O parecer traz dados de 2013. Eles mostram que 25,2% do total de 2,14 milhões de docentes não têm a formação em nível superior. A maior porcentagem está na educação infantil, que atende crianças de até seis anos, onde 40% não tem essa formação.
– A principal modificação é compreender que a docência é um ato que tem de ser aprendido. A relação teoria e prática está presente do primeiro ao último ano de formação – analisa a presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), Maria Margarida Machado
O parecer é o primeiro passo para a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica, prevista no PNE. A proposta do MEC para a Política está em consulta pública na internet. O MEC está colhendo opiniões sobre cada uma das partes da proposta. A intenção é fortalecer o regime de cooperação entre União, estados e municípios para a formação de professores.
Entre as propostas em consulta está a de que estudantes que tenham financiado cursos de licenciatura possam pagar a dívida dando aulas em escolas públicas.

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