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Educação e Spinoza: Para que educar? O mito da finalidade. Texto 4/4.

Esse texto é a parte quatro e a última de uma reflexão sobre os pensamentos do filósofo Spinoza tecidos com os fundamentos da Educação. No primeiro texto provocamos reflexões acerca da Educação utilizada como instrumento da reprodução social. No segundo texto apresentamos nossas reflexões acerca do mito da falta, ou seja, por que educar? No terceiro engendramos ideias sobre o mito do método, do “como” educar. Apresentamos agora ideias sobre o mito da finalidade de Spinoza sobre a Educação. Para que educar?
      Para Spinoza o fim é uma ilusão e uma projeção humana. Por esse motivo acabamos por imaginar que a Natureza também seja regida em função de um fim. Imagina-se que somos movidos pelos fins que escolhemos e não pelas causas que nos determinam. Na Educação, o mito da finalidade opera em complementaridade com as noções de falta e método. Apoiada na divisão que ela mesmo instaura entre sabedores e ignorantes, a educação apresenta-se como detentora privilegiada de um suposto saber capaz de proporcionar o útil (mito da falta). A partir daí ela estabeleceria os meios pelos quais esse saber seria alcançado (mito do método). Completando transformaria esse saber em meta ou fim ao qual todos devem se direcionar (mito da finalidade).
     Qual o “modelo de natureza humana” a ser alcançado? Pode algum modelo pré-definido, padronizado e finito impelir-nos a um encontro com nossas próprias forças que já sabemos ser completamente ímpares? Ou serviria somente para reforçar ideias hegemônicas? Conforme (MERÇON, 2008), o caminho seria considerar que o fim a que aspiramos derivaria de uma atenção àquilo que nos potencializa, ou seja, é construído por nosso próprio desejar ativo. Que os fins que estabelecemos para nós mesmos sejam concebidos como efeito do nosso desejo e não de causas ou forças externas que nos movem isoladamente. Eis que aqui poderíamos ter um conceito de aprendizagem ativa livre de qualquer paradigma moderno e completamente afastado da busca intencional pela homogeneização de desejos, de saberes e de poderes concentrados. Assim como o desejo não nasce da falta, também não é fruto do fim, mas, ao contrário, determina-o. Isso, segundo Spinoza, mudaria completamente a finalidade da educação que geralmente padroniza os resultados em fins coletivos e não considera a potência individualizada. O meu fim seria só o meu fim e o seu fim, seria somente o seu fim, ambos determinados pelos nossos desejos individuais. O fim, sempre provisório e singular, seria tomado como verdadeiramente é: um efeito de nosso desejo, de nossos esforços para atualizar e eclodir nossas potências. O professor tecedor de saberes pode utilizar-se das NTIC (novas tecnologias de informação e comunicação) para fomentar e intensificar os encontros dos desejos individuais e coletivos de seus alunos numa perspectiva do conhecimento em rede valendo-se, em seus espaços de tecitura de conhecimentos, de recursos digitais como os sistemas da WEB 2.0 de produção de textos colaborativos online por exemplo. A partir daí e com a ajuda das NTIC, a Educação pode vislumbrar uma finalidade que seja individual e determinada por cada potência ao invés de oferecer um único fim coletivo e alcançável a todos os submetidos a ela.
Prof. Sandro Ribeiro – novembro de 2016.

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